projeto



Estas pinturas e desenhos são resultados das minhas buscas pela arte bruta, descondicionada; um ritual gestual que flui do ato, revelando formas, cores sem preocupação com técnica ou realismo, no sentido acadêmico. Contudo, permanecem reais, pois nascem de uma abstração formal consciente que valoriza sensações no ato da composição, podendo revelar realidades invisíveis ou interiores. Um exercício de sensibilidade para quem faz e para quem percebe.

Neste sentido, faço minha as palavras do mestre Paul Klee:

“Porque as obras de arte não só reproduzem com vivacidade o que é visto, mas também tornam visível o que é vislumbrado em segredo.”

O projeto arte bruta surgiu de exercícios que tenho realizado com a pintura e o desenho automático através de uma gestualidade intuitiva, atacando o suporte sem croquis nem  ideias pré-concebidas deixando que o espaço em branco do suporte e o branco da razão silenciada pudesse dar lugar a algo que só buscaria entender após a experiência de cada pintura ou desenho. Por isso, o tema de cada imagem, é dado após a sua conclusão.

Tenho verificado que este tipo de pintura está mais próxima de uma ideia de liberdade no fazer artístico.  Identificando certa afinidade com alguns conceitos que passaram a ser alvo de minhas pesquisas téoricas. Encontrei um vasto campo de estudos a partir do século XX onde a pintura pôde voltar-se para a natureza interior do artista, além do desenvolvimento da psicanálise.

O nome do projeto foi retirado do termo usado por  Jean Dubuffet que em 1948, criou a Companhia da Arte Bruta, utilizando o termo Art Brut para descrever o tipo de arte criada por psicóticos, crianças ou pessoas sem formação artística, presente em inúmeras manifestações de culturas arcaicas e populares e no graffiti. Este sentido do primitivo, ou melhor, esta recolha das potencialidades expressivas das formas produzidas à margem do mundo sofisticado (que Dubuffet considera mais sinceras e verdadeiras que as dos artistas profissionais), na acentuação do primitivo por contraste com o civilizado, transmitia cada vez mais à sua obra um carácter ingénuo, infantil e irônico. Embora num período inicial os seus trabalhos fossem muitas vezes motivo de escárnio por parte da crítica e do público, mais tarde foi devidamente reconhecida a importância da obra de Dubuffet, enquanto precursora de muitas correntes artísticas desenvolvidas na segunda metade do século XX (como o Expressionismo Abstrato e o Informalismo). Jean Dubuffet morreu em Paris em 1985.